Como Noah Baumbach fala sobre maturidade6 min read

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Anteriormente, fizemos um mergulho em “História de um Casamento” e isso me permitiu um aprofundamento no estilo de direção de Noah Baumbach. Publiquei aqui minha opinião sobre o filme e fiz uma análise de sua estética. Sendo assim, aqui estou para compartilhar tudo que aprendi.
Se você curtiu os artigos anteriores, tenho certeza de que vai gostar desse também mas antes de começar, quero te fazer uma rápida pergunta:

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Roteiro e Personagens

Um dos grandes argumentos nos filmes de Noah Baumbach são personagens imaturos que se recusam a crescer. Há sempre aquele personagem, comumente o protagonista, que toma decisões precipitadas, faz escolhas ruins, fala coisas inapropriadas em momentos inoportunos, como Frances, brilhantemente interpretada por Greta Gerwig, fez (demais).

 Noah Baumbach diretor de Frances Ha
Greta Gerwig como Frances

Um de seus principais filmes, “Frances Ha”, conta a história de uma nova iorquina (que não tem um apartamento), aprendiz de uma companhia de dança (embora não seja dançarina) que se joga de cabeça em seus sonhos, mesmo que a possibilidade de realizá-los seja minúscula.
É o sétimo trabalho de Noah e um de seus maiores sucessos, com diversas indicações no grande circuito de festivais e premiações.

Nesse sentido, observamos alguns dos temas mais recorrentes, pois é sempre ele que assina seus roteiros, ora acompanhado de Greta Gerwig, ora com outros parceiros, ora sozinho: Frances é uma pessoa pouco sociável, insegura e com sérios problemas em assumir as rédeas de sua própria vida, o que gera conflitos familiares, com os amigos e com qualquer pessoa mais adulta com quem ela se relacione.

Os conflitos em suas obras são gerados pela imaturidade dos personagens.

Acontece igualmente em Os Meyerowitz, onde esse papel fica com Adam Sandler, que era a grande promessa artística da família, alguém para dar continuidade ao legado do pai. Mas parou de tocar piano, não tem trabalho, sua família está ruindo e ele precisa voltar para à casa do pai, com quem ele tem um relacionamento fundamentado em frustrações e culpa.

E assim temos um filme cheios de diálogos, com conflitos entre os irmãos, entre o pai e os filhos, entre os filhos e seus filhos e entre os filhos e suas esposas. É um filme que demanda bastante empatia por parte do espectador ao olhar para a tríade que protagoniza a história.

Seus filmes estão sempre mais voltados para os diálogos e para relações pessoais, não há vilões, não há heróis, apenas pessoas com personalidades próximas do real.

As artes estão sempre presentes em seus contos:

  • Começando por “Frances Ha”, Frances é aspirante a dançarina;
  • Agora, em “Os Meyerowitz”, Danny foi uma promessa a pianista, Harold é escultor, Matt é empresário de artistas;
  • Charlie é de diretor de teatro em “Historia de um Casamento” enquanto Nicole é atriz e tem uma família que transita nas interpretações e na música;
  • Por sua vez, em “A Lula e a Baleia”, Bernard Berkman é escritor, assim como Jonathan Baumbach, pai de Noah. Este é um de seus filmes mais aclamados pela crítica, sendo indicado ao Oscar de melhor roteiro original, que traz um relato muito íntimo sobre divorcio narrado sob o ponto de vista do filho.
  • “Enquanto Somos Jovens” aborda o cinema com os maridos diretores.

Noah gosta de filmar em Nova Iorque, afinal de contas, ele é nascido e criado no Brooklyn, estudou na Vassar College que fica a 100km da cidade, mas a gente percebe que sobrou espaço para Los Angeles em seu coração. “Os Meyerowitz” trazem a mesma dualidade, embora não com a mesma intensidade, entre as costas que assistimos em “História de um Casamento”.

Geralmente esses nova iorquinos, embora imaturos, são pessoas de classe média, escolarizados, cultos e muito bem educados. Não há violência física e quando há, fica dentro do campo da comédia, é ridicularizado; afinal de contas, é briga de família, né?! 😅

Noah frequentemente trabalha com os mesmos atores: Adam Driver, Ben Stiller, Greta Gerwig.

Nesse sentido, ele também gosta de recrutar as mesmas pessoas na equipe técnica, como é o caso de Robbie Ryan e Sam Levy na Direção de Fotografia e Jennifer Lame na edição e montagem.

Seu estilo de direção se encaixa em um sub-gênero do cinema denominado Mumblecore, onde Noah é um dos grandes nomes desse movimento. Algumas das características são:

  • Atuação naturalística
  • Diálogos em sua maioria improvisados
  • Produção de baixíssimo custo
  • Ênfase no diálogo em vez da trama
  • Na maior parte das vezes focado nas relações pessoais

Filmes Mencionados

É incrível como diretor se mantém dentro de seu próprio estilo desde o início de sua carreira. Sendo assim, existe muita coerência em seu trabalho!
Percebe o quanto você já aprendeu apenas sobre como o Noah Baumbach constrói suas narrativas?!

Posso contar com sua presença na segunda parte desse guia?

Vai ao ar na próxima terça-feira, 28-abr, e será sobre como ele constrói a estética e o visual de seus filmes.

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4 comentários em “Como Noah Baumbach fala sobre maturidade”

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