“Suspiria” (2018), tudo aquilo que é terrivelmente belo8 min read

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Elenco e equipe técnica do remake de Suspiria 2018

Inicialmente eu achava que “Suspiria”, produzido em 2018 seria mais um remake daqueles que ninguém pediu ou queria, mas nesta crítica te conto como me enganei totalmente.
Hoje vou te contar tudo sobre a refilmagem do terror italiano, dirigido pelo premiado cineasta de “Me Chame pelo Seu NomeLuca Guadagnino

Na versão atual, Susie Bannion (Dakota Johnson), uma jovem bailarina americana, vai para a prestigiada cia de dança Markos Tanz Company, em Berlim. No mesmo dia de sua chegada, a também dançarina Patricia desaparece misteriosamente. Tendo um progresso extraordinário e se destacando logo em seu teste, com a orientação de Madame Blanc, Susie acaba fazendo amizade com outra dançarina, Sara, que compartilha com ela todas as suas suspeitas obscuras e ameaçadoras do conceituado local.

Cores e Fotografia

Eu tive a felicidade de me deleitar com “Suspiria” no cinema e assistir a essa fotografia incrível que Sayombhu Mukdeeprom imprimiu na tela. O meu sentimento foi de que cores e fotografia se complementam para que tenhamos uma experiencia única de horror e encantamento.

Pessoalmente, fiquei admirada com a beleza e a estética em um filme de terror que sobra em sangue e gore. Sim, o filme é gore e lindo ao mesmo tempo, é incrível.

Primeiramente, a cor de frente é o cinza, usada para ilustrar uma Berlim ainda dividida e que serve para contextualizar o momento histórico do filme.  Ainda assim, vemos o cinza acompanhado do vermelho que permanecerá em, praticamente, todos os momentos do longa-metragem de Guadagnino.

Aliás, observando o figurino de Susie, podemos perceber que suas cores são o cinza, que vem com ares fantasmagóricos e um vermelho bem fechado, sóbrio, que imediatamente nos remete à cor do nosso sangue.

O filme separa os espaços através da cor também: cenas internas, na cia de dança são mais quentes, tem mais marrons, vermelhos, tons alaranjados. Enquanto isso, nas externas, temos cinzas, cinzas esverdeados mas o vermelho tá sempre presente.

No que diz respeito ao visual apresentado, eu vi um confronto entre o belo e o horrível.

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Vale a pena assistir?

Contrariando as estatísticas adorei o remake de “Suspiria”, bem mais do que seu original homônimo de Dario Argento. Entendo que para a época de seu lançamento ele foi muito inventivo e original, além daquele uso exacerbado de cores serem um deleite para alguém tão apaixonado como eu. Ainda mais pra um filme de terror, as cores são bem atípicas e se destacam enormemente.

Entretanto, gosto mais da atmosfera voltada pro realismo criada por Gudagnino, que me deixou bem mais intrigada com o que viria a seguir, bem mais interessada na história de Susie Banion e das personagens secundárias. Enquanto isso, a obra de Argento é bem mais fantasiosa e Susie é uma personagem mais ingênua e crua.

Nesse mesmo sentido, o clima de voyeurismo, de espionagem, de suspeição de todos é muito intrigante e divertido. Parece que todos estão escutando conversas atrás da porta e acho que isso sustenta o segredo que gira em torno da cia de dança Markos.

Um dos pontos que não gostei muito foi o arco do Dr. Kemplerer porque achei que era totalmente dispensável e acho que não se conecta bem com a trama central. Mas de qualquer forma, não estragou minha experiência e tomei sua presença no filme, como a minha própria. É como se ele nos representasse no filme e servisse como testemunha de tudo que assistimos.

além das cores

Acho que toda a parte visual do filme funciona muito bem, justamente, pelo fato de ter uma história interessante para ampará-la.
A edição do filme, assinada por Walter Fasano também é um primor, especialmente nas cenas de dança. vemos como ela sincroniza perfeitamente com os passos, com os closes e com os enquadramentos escolhidos para focarmos naquilo que o diretor deseja.
É bastante interessante percebermos que a fisicalidade das atrizes é bem ressaltada pela Fotografia e pela edição que cumpre seu papel em mostrar seus corpos como parte fundamental do corpo de dança e para a narrativa que se apresenta.

Além disso, quero mencionar também a atuação de Mia Goth, como Sara, que é um personagem tão curioso quanto nós enquanto espectadores.
Ela tem sua própria jornada do herói que se fecha de forma tão espetacular quanto a de Susie.

A trilha sonora, assinada por Thom Yorke, vocalista e guitarrista da banda Radiohead, é algo a ser ressaltado. Combina bem, apesar de ser bastante contemporânea.

Filmes relacionados

Se você gostou deste “Suspiria”, é interessante conhecer também o original dirigido por Dario Argento, em 1977.

O ato final do filme de Guadagnino lembra muito o caos que se instaura em “Mãe!”, de Darren Aronofsky, lançado em 2017. Além de trazer o contexto maternal como subtema.

Assim como em “Cisne Negro”, outro filme de autoria de Aronofsky, datado em 2010, “Suspiria” menciona a dança e a tem como narrativa. Tal qual o filme de Natalie Portman, que vem na pele de uma profissional obcecada pela perfeição. Muitas semelhanças com a Susie Bannion de Dakota Johnson.

Assim como “O Bebê de Rosemary”, dirigido por Roman Polansky, que trabalha um lado sobrenatural, “Suspiria” flerta com um pacto com o coisa ruim.

Embora seja um pouco chato travar essa comparação entre os dois filmes, acho que é impossível não faze-lo. O que vi foram duas obras autorais, cada uma a seu modo, igualmente originais e criativas.

Pra encerrar, eu realmente gostei de “Suspiria” e acho que até o momento é o melhor trabalho de Dakota Johnson e acho que posso dizer que, dos filme de direção de Luca Guadagnino, esse é o meu favorito.
Até este momento!

Muito obrigada por sua leitura, espero que tenham gostado!
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1 comentário em ““Suspiria” (2018), tudo aquilo que é terrivelmente belo”

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