A cidade como personagem em Oslo, 31 de agosto7 min read

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Elenco e Equipe Oslo, 31 de agosto

Recentemente tenho assistido poucos filmes do MUBI por causa de outras pautas que tenho tido em paralelo.
Mas nessa semana, fazendo a lista de filmes cults da Netflix, indiquei um filme do diretor Joachim Trier e pesquisando vi que ele tem vários outros que ainda não assisti. Entre eles, estava Oslo, 31 de agosto, em exibição no MUBI.

Cores e Fotografia

Pra começar a te contar sobre “Oslo, 31ago”, abro minha opinião com a sinopse do filme, onde acompanhamos um dia na vida de Anders, um jovem viciado em drogas que está em recuperação e tira uma breve licença de seu centro de tratamento para fazer uma entrevista de emprego e conversar com velhos amigos em Oslo.

Primeiramente, fiquei bem impressionada com a forma familiar com a qual o Joachim Trier compartilha sua perspectiva de Oslo com a gente, colocando a cidade como mais um personagem dentro da história. Oslo é um elemento vivo, tem memórias, cores e dependendo do enquadramento, ela é mocinha e vilã.

Ao mesmo tempo, vemos lindas imagens de um lugar cosmopolita, moderno, afetivo, cheio de verde, de parques, limpo, bem tratado. Em contraponto aos sentimentos que Anders tem a respeito de sua cidade natal.

Para o protagonista, a cidade é pesada, cheia de rancores, de memórias inquietantes, é uma ameaça à sua condição. Ele tem sentimentos confusos com relação a Oslo, tal qual ela fosse uma de suas ex-namoradas.

Uma coisa que achei muito curiosa na Fotografia de Jakob Ihre, Diretor de Fotografia do filme, é a textura de molhado que ele imprime. Temos isso não apenas nas cenas iniciais, mas ao longo de toda a película. É o rio perto de sua clínica de reabilitação, as bebidas que se arrastam por todo o filme assombrando a cabeça de Anders, a piscina que aparece no final e até a cena que fecha o filme apontando para um copo de água.

São águas calmas, sem ondas, sem confusão, às quais eu associo ao sentimento de vazio em que o protagonista se encontro, seu estado mental é bem desequilibrado, desajustado e frágil. Tanto quanto um copo d’água. Sem emoção e sem sentimentos.

Vale a pena assistir?

Gostei bem mais deste do que de seu mais famoso “Mais Forte que Bombas”. Acho que por conta da sinopse que é mais envolvente, o filme tem um pouco mais de dinâmica, os personagens se movem, se deslocam de um ponto a outro.

Além disso, eu comprei o drama de Anders, me senti angustiada, fui surpreendida por algumas de suas atitudes e senti empatia por ele.

O filme tem um tom de tensão, a gente fica na expectativa de que ele vá por um caminho errado. Especialmente em momentos de frustração.

Sentimento este, que norteia o personagem a todo momento. Existe uma cena em específico, onde ele está sozinho num café e que presta atenção às conversas em sua volta ouvindo uma série de histórias de vida. É como se ele estivesse vivendo um pouquinho da vida de cada um porque simplesmente não consegue lidar consigo próprio, com o vazio e imperfeição de sua vida. O olhar de Anders entrega seu estado emocional. É uma cena bonita e igualmente trágica.

além das cores

O filme é marcado pelo desperdício de seus talentos para as drogas e a cena final descreve a questão muito bem.

Assim como a Fotografia, a tridimensionalidade dada ao personagem central também me chamou atenção em “Oslo, 31 de ago”. Ou seja, eu realmente gostei do roteiro deste filme.

Anders é um indivíduo cheio de complexidades, com aspectos psicológicos interessantes.

Eu tenho uma tendência a gostar desse tipo de temática e acho que abarca toda uma discussão e reflexão que se expande à sociedade. Como podemos ver aqui e tenho falado isso em algumas das minhas críticas, a Noruega é um pais de altíssima qualidade de vida. Na verdade, a escandinavia de um modo geral, é muito rica e, todos os seus membros possuem um idh alto. E ainda assim, existe viciados em drogas e não aparenta ser um problema fácil de lidar e/ou de combater.

A atuação de Danielsen Lie (com quem Joachim Trier trabalhou anteriormente em sua estréia no cinema, “Começar de Novo”) é impactante e muito profunda. O diretor contou que Danielsen Lie era tão aberto ao papel que quase não conseguiu suportar os desafios de seu personagem, se não pelo apoio implacável de sua namorada. O nível de dedicação de Danielsen Lie é certamente difícil de ignorar ao assistir o filme.

Filmes relacionados

Se você se é um curioso pela temática do vício em drogas como eu, não pode deixar de assistir “Querido Menino”, com Steve Carell e Timothée Chalamet.

Mais Forte Que Bombas” é pra você que se interessou pelo trabalho de Joachim Trier. Seu primeiro filme em inglês traz Jesse Eisenberg, Isabelle Huppert e foi muito bem recebido pela crítica.

Contudo, quem quiser conhecer mais do trabalho de Danielsen Lie, pode assistir “22 de Julho”, filme da Netflix que mencionei no meu post sobre Utoya 22 de Julho. Ele interpreta o terrorista Anders Behring Breivik.

Em resumo, definitivamente preciso assistir mais filmes no MUBI. Eu pouco acesso, mas a cada experiencia, minha satisfação só aumenta.

Eu adorei “Oslo, 31 de agosto” e pagaria até um ingresso caro por esse filme, recomendo muito que assistam se tiverem a oportunidade.

Muito obrigada por sua leitura, espero que tenham gostado!
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