Pantera Negra 2 é uma grande decepção.5 min read

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Ryan Coogler e a Marvel tiveram um grande desafio com “Pantera Negra: Wakanda Forever” que foi substituir Chadwick Boseman como protagonista no segundo filme da franquia do herói.

Boseman faleceu cedo, com apenas 43 anos e, estava dando muito certo no universo. Tão certo que o estúdio nem ao menos cogitou substitui-lo e encontrou uma solução pobre, mas que vai ao encontro de suas atuais estratégias e da cartilha vigente.

Numa situação incomum onde personagem e intérprete estão mortos, Coogler (diretor e roteirista) e Kevin Feige (produtor) tinham ouro em mãos. A oportunidade única de trazer uma emoção visceral ao Universo Marvel, abordar o luto em sua essência e fazer um drama de respeito, épico. Mas infelizmente, “Wakanda Forever” é sem alma, desprovido de qualquer apelo afetivo.

Exceto pelo figurino sempre acertado de Ruth Carter (ela foi certeira no primeiro Pantera Negra e no sofrível “Um Príncipe em NY 2”), o filme sofre de sérios problemas. Dentre eles, podemos citar: edição, construção de personagens, arco dramático, argumento, conflito, piadas ruins e repetitivas, texto pobre.

Letitia Wright até tenta, mas simplesmente não consegue entregar a força necessária pra ser um Pantera Negra. Não apenas é difícil substituir Chadwick Boseman, como também preencher o vazio deixado pelo herói. Apesar de não achar que era um grande ator, Chadwick tinha um carisma enorme e incorporou T’Challa como se fosse o próprio. Ademais, tanto Shuri quanto Letitia Wright não têm as qualificações necessárias para substitui-lo.

Além disso, a Marvel construiu toda uma trajetória, com diversos obstáculos para que T’Challa se tornasse o Rei de Wakanda e Pantera Negra. Percalços estes que não sentimos nos ganhos de Shuri, tanto em termos emocionais porque não percebemos que ela de fato esteja tirando lições dos (poucos) desafios propostos, quanto em termos práticos porque ela não luta efetivamente para se tornar a Pantera Negra.

Sinceramente, era melhor simplesmente terem arrumado um ator para substituir Chadwick Boseman e seguir em frente. A Marvel matou Killmonger (Michael B. Jordan) e deve se arrepender amargamente por isto. Em sua breve aparição sentimos a força de sua presença e os mais profundos sentimentos que ele sempre teve. Há bem mais rancor, ódio, angústia do que em qualquer frame que Letitia Wright tente demonstrar algo. Embora o texto seja demasiadamente ruim, expositivo e óbvio, a gente consegue perceber o desejo que Killmonger tinha pelo trono de Wakanda e como sua história de vingança se justificava. Jordan enche a tela e rouba a cena de Wright muito facilmente. Da mesma forma que fez com Boseman no título antecessor.

Curiosamente, aqui o vilão Namor toma a frente e esbanja segurança, autoconfiança. Entretanto, o conflito proposto por Ryan Coogler carece de recursos críveis e coerentes para que toda a ação se desenrole. Nesse sentido, o ritual de passagem de título vem do advento de nova tecnologia, sem qualquer criatividade, ou personalidade.

Mas a Marvel não perderia a oportunidade de entregar (de mão beijada) o título de Pantera Negra para uma heroína. Boa parte da fragilidade de Shuri vem de sua personagem mal construída e não apenas da falta de experiencia de sua intérprete. A irmã do Rei é insegura, influenciável e usa de atalhos para chegar aos seus fins.

Obs: alguém pode esclarecer quando Estados Unidos colonizou outros povos? 🤔

Por fim, eu vi muitos reclamando das cenas pós créditos, mas aquilo faz sentido, pra que voltemos à estaca zero. De acordo com os quadrinhos, Shuri só é Pantera Negra nesta guerra específica.

Em resumo, talvez o grande problema dessa nova temporada da gigante fábrica de heróis seja a falta de personalidade e coragem de se manter fiel (ou pelo menos próximo) aos quadrinhos. Boas histórias, roteiros inteligentes e heróis dignos estão sendo deixados de lado, renegados aos apelos de uma parte da sociedade contemporânea.

Entretanto, o estúdio só apresentou personagens sem empatia. Até o momento foram 5 filmes 5 séries nos quais as protagonistas são mulheres ou os homens caracterizados como instrumentos para que elas ganhem algo. Até os gringos agora chamam o universo Marvel de M-She-U (uma alusão ao MCU – Marvel Cinematic Universe).

Mas isso é papo pra outro momento, o assunto rende discussão e hate. (Frankly, my dears, I dont give a damn…). Deixa nos comentários se você quer uma análise sobre isso. 💬⬇️

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