Pleasure é incômodo e realista5 min read

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Pleasure” traz a história de Bella Cherry, com 19 anos, que deixa a vida em uma pequena cidade da Suécia e segue para Los Angeles com o objetivo de se tornar a próxima grande estrela pornô do mundo.

O filme é apenas o primeiro da carreira da diretora sueca Ninja Thyberg mas poderia dizer que ela já teria outros títulos em seu portfólio. Ninja traz uma abordagem com aspecto documental para sua visão da indústria pornográfica americana. O título é irônico, uma vez que, poucos são os personagens que, de fato, experimentam algum prazer nesse filme. Em “Pleasure” podemos observar o que, provavelmente, é a mais pura realidade do que acontece nos bastidores dessa área.

Prepare-se para cenas incômodas, desconfortáveis e uma boa dose de indignação. A jornada de Bella pode-se assemelhar a de qualquer pessoa em busca de sucesso e ambição em seu ambiente de trabalho. A cena de abertura mostra a atriz preenchendo um formulário bastante burocrático onde ela deve dizer quais são os tipos de cena que ela está disposta a fazer. Ela responde que quer começar devagar, com cenas mais leves. Entretanto, a escolha tem consequências, dentre elas, um crescimento mais devagar.

Ela tira fotos ousadas, atraentes, provocativas como uma atriz do pornô deve fazer e publica em suas redes sociais. Afinal de contas, nos tempos atuais, uma legião de seguidores faz toda diferença para atrair patrocinadores, marcas, investidores etc. Nessa área, não seria diferente. E aí não tem como não olhar a grama do vizinho…. em certa altura ela encontra a nova garota Spiegler e isso, meus caros, quer dizer muita coisa no mundo pornô. Ao ver toda a atenção e produção em torno da nova garota da revista, ela começa a cavar sua ascensão.

A cena mais desconfortável de “Pleasure”

Mas nada disso é de graça e nem fácil. Bella então opta por fazer cenas mais pesadas. Nesse caminho, ela encontra pessoas gentis como uma produtora mulher que cuida de seu penteado, orienta uma palavra de segurança caso o parceiro esteja ultrapassando limites, se preocupa que as cordas estejam confortáveis. Por outro lado, ela também topa com produtores não tão cuidadosos como os do ramo de humilhação.

Aliás, eu posso te afirmar, com toda certeza, essa é uma das cenas mais incômodas de todo o longa. Bella passa por uma situação em que ficamos em dúvida se ela acabou de passar por uma violência sexual de fato ou se era tudo encenação. A grande questão aqui é que ela ultrapassa uma linha tênue de até onde ela se dispõe para conseguir o quer. Esse é o ponto decisivo na jornada de Bella Cherry.

Nesse sentido, é curioso perceber que mesmo sendo um filme sobre a indústria pornô, podemos fazer uma analogia para qualquer outra área de trabalho. Da forma como Bella chega, disposta a ir devagar e vai sendo engolida pelo mercado de trabalho, ao ponto de fazer coisas antes impensáveis para conseguir o que deseja e finalmente alcançar o sucesso desejado. Até mesmo se humilhar, se rebaixar, ser constantemente posta à prova, apenas para conseguir um cargo. Isso acontece em todos os escritórios do mundo, todos os dias. Colegas de trabalho passando a perna no outro, fofocas, histórias de vida dos mais seniores, indicações para vagas, os mais e menos populares da empresa. Acontece em todos as empresas, diariamente. Eu cheguei a contar uma história pessoal minha no Instagram sobre uma situação bem complicada que já passei na minha antiga área de trabalho. Clica aqui pra ler.

Conclusão

O filme tem um desfecho um tanto quanto morno, pra mim. Depois de tudo que Bella passou, pessoalmente, não me agradou a perspectiva da diretora sobre sua protagonista e as decisões que Bella toma no ato final. Acho que a diretora acaba punindo a garota de alguma forma e dando uma lição que deveria ter ficado a cargo do espectador e não dela. Mas enfim, o título provoca algumas reflexões, especialmente acerca das relações interpessoais e de trabalho. Mas especialmente, na indústria do pornô e como muitos desvalorizam a profissão.

Você pode assistir “Pleasure” no MUBI.

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