Björn Andrésen e o castigo do único personagem4 min read

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O documentário “O Garoto Mais Bonito do Mundo” traz a história de Björn Andrésen. De nome, talvez você não se lembre. Mas, se você já assistiu “Morte em Veneza”, com toda a certeza percebeu a beleza do menino Tadzio. Interpretado por Björn, na época com 15 anos e hoje com 66 anos, ninguém sabe as consequências que o filme lhe causou.

Assim, é a partir deste ponto que o sombrio documentário se desenrola. Sim, a fotografia é bastante escura, abusa do uso de azul para as luzes e preto para as sombras. Juntamente aos relatos narrados por Björn e o fato de a maioria das cenas se dar na fria Estocolmo, a gente tem uma atmosfera pesada. É uma perspectiva bastante deprimente da vida deste homem.

Inicialmente, o doc nos contextualiza na situação presente de Bjorn. Ele está ameaçado de despejo por acumulação, sujeira, descuido com a casa e uma namorada o ajudando a reverter o cenário caótico. Logo depois, vemos o seu ponto de vista da seleção dos meninos para “Morte em Veneza”. Ele conta que sua avó gostaria de ter um neto famoso e o levou para que Luchino Visconti, diretor italiano do clássico, o conhecesse. Luchino ficou encantado com a beleza do garoto, dizia que ele era perfeito para o papel. Durante as coletivas do filme no festival de Cannes declarou que ele era o garoto mais bonito do mundo.

Deste momento em diante, Björn que já não era alguém estável emocionalmente, passou receber uma atenção e um assédio, até então, inimagináveis. Viagens, gravações de comerciais, exibições, entrevistas, idas à casas noturnas, ingestão de remédios sem prescrição médica e uma total ausência de rotina. Pra mim, foi bastante intenso, mexeu com meu emocional ver como trataram um garoto de apenas 15 anos. Nunca o questionaram se, de fato, ele queria tudo aquilo.

Na minha opinião, este documentário mostra que entender o passado de traumas e dores de alguém explica muito seu presente. Todos à volta de Björn ressaltavam sua beleza física, mas não parecia ter alguém interessado no que estava dentro dele. Tudo que acontece a seguir em sua vida é motivo para sentimento de culpa, tristeza, abuso de álcool, isolamento e depressão.

Além da fotografia, destaco a montagem do documentário. Principalmente a cena final que tem uma cena linda e comovente demais! Envolve o ator numa praia, com uma presença muito forte de azuis e uma cena de “Morte em Veneza”. Esta cena também é numa praia mas com destaque para a atmosfera solar. Criou uma ambiguidade de ponto de vista muito interessante e que resume bem todo o documentário.

Em resumo, eu que não sou de me emocionar com documentários, estou refletindo sobre ele até agora!

“O Garoto Mais Bonito do Mundo” estará disponível online e nas salas de cinema de São Paulo. Você pode adquirir ingressos para a Mostra Play a partir das 0h01min do dia 21-outubro. Para as sessões presenciais, confere os horários aqui!

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