Por que “Um Beijo Roubado” é surpreendente?7 min read

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No ASSISTIDOS DE FEVEREIRO/21, eu comentei que faria uma crítica sobre “Um Beijo Roubado”. Foi um mês que assisti poucos filmes, mas que os bons, foram ótimos. Entre eles, está este título que levei muito tempo pra assistir, mesmo sendo o filme favorito do meu marido. A Mariana (@arqcine) me falou que, por este motivo, eu tinha um dever moral de assistir. Além disso, as cores do filme eram lindas! Enfim, dever cumprido e com muito prazer!

Acredito que existem alguns filmes que perdem muito quando a gente tenta explicar demais e pra mim, é o caso de “Um Beijo Roubado”. Eu li diversas entrevistas do diretor Wong Kar-Wai, que inclusive, faz sua estreia em inglês com esta obra, e são todas muito ruins. Não apenas as perguntas são ruins, sempre ansiando por explicações do porquê escalar Norah Jones, como também as respostas dele são lacônicas e pobres. Acabam por diminuir a experiência de assistir a este filme simplesmente porque o diretor não sabe “vender” sua obra.

Cores e Fotografia

Assim como é habitual, o que mais me chamou atenção e que seria também impossível de não notar, é a fotografia de Darius Khondji. Pra você que acompanha aqui o COLOR, talvez este nome soe familiar, ele é o mesmo Diretor de Fotografia de Joias Brutas. E sim, me parece que ele aprecia neon e cores fortes, para o meu deleite! 🥰

O aspecto visual que é base do filme é pautada nas paleta de cores primárias: vermelho enquanto Liz (Norah Jones) está em Menphis, azul durante as cenas do cassino e amarelo durante a road trip com Leslie (Natalie Portman). Durante as cenas no bar de Jeremy (Jude Law), temos um grande misto de todas as cores. Provavelmente porque é com ele que suas noites são mais coloridas (?).

Nota-se também um granulado bem intenso nas imagens, principalmente nas cenas que ficam em NY. Este efeito, para muitos pode causar uma sensação de sujo ou de fotografia antiga. De fato, eu gosto e vou além na minha percepção: tive um sentimento que a presença do granulado representava o estado mental de Elizabeth. Ela estava muito confusa com seus sentimentos e apegada a um passado que simplesmente não fazia mais parte da sua vida. Talvez fosse realmente preciso de um tempo da cidade e de tudo que estava a seu redor para que pudesse se abrir para novas experiências.

Quanto aos enquadramentos, temos planos médios e close-up nos rostos dos artistas. Acho que para um filme deste tipo, que tende a focar bem mais nos relacionamentos e em suas emoções, combina e não achei desconfortável. Muito pelo contrário, conseguimos captar bastante do sentimento que os personagens passam e isso, do meu ponto vista, elevou a atuação deles.

A propósito, alguém notou que não há casas ou apartamentos neste filme? As histórias se dão nos bares/estabelecimentos por onde o elenco passa.

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Além da Fotografia, o que tem de melhor em “Um Beijo Roubado”?

Conforme mencionei mais acima, o que muito se comenta nas críticas da época e também nas entrevistas do diretor é sobre a atuação de Norah Jones. Eu, muito sinceramente, não me incomodei tanto ao ponto de vir aqui e detonar a cantora. Embora seja seu primeiro trabalho, na minha opinião, ela não se sai mal a ponto de desabonar o filme ou torná-lo ruim.


E assim, vejo o papel de Elizabeth como de alguém que observa os outros, suas reações, aconselha-os e, de alguma forma, se aproveita das experiências dos outros para usufruto. Norah não tem seu grande momento, uma cena que eleve sua personagem ou uma oportunidade para deixar sua marca. Pelo contrário, estes momentos ficam com Natalie Portman e, primeiramente, com Rachel Weisz.

Assim também, vejo um problema do roteiro que ficou sob a responsabilidade do próprio diretor, Kar-Wai Wong. Por que não criar esta oportunidade pra Elizabeth? Por que a personagem não tem seu grande momento de drama?

Da mesma forma, outro aspecto que também me chamou atenção foi a presença (ou diria ausência?!) de Jude Law. Eu gostei tanto das cenas deles dois juntos que fiquei com vontade de mais daquilo. Adoraria ter visto mais!
A propósito, a cena do primeiro beijo deles, pra mim, é um dos pontos altos do filme. Achei lindíssima.

Filmes relacionados

Se você já assistiu, gostou e portanto, está à procura de outros filmes parecidos, aqui vão algumas indicações:

O filme mais conhecido do diretor Kar-Wai Wong é Amor à Flor da Pele de 2000 e, segundo o público do site Letterboxd, um de seus melhores.

Mas se você ficou curioso sobre a fotografia de Darius Khondji, ele tem outros diversos excelentes títulos em sua carreira. Como por exemplo: Amor (que eu já indiquei nesta lista), “Violência Gratuita” (que eu comentei na minha crítica sobre “Luce”), “Joias Brutas” (que tem opinião aqui), “Seven”, etc.

Entretanto, se seu interesse ficou em obras que tem cantores como protagonistas, eu já recomendei aqui “Nasce Uma Estrela”, onde a protagonista é Lady Gaga, “O Preço do Amanhã” com Justin Timberlake. E você ainda pode assistir “Evita”, onde Madonna é a personagem central e a fotografia também ficou com Khondji.

Em resumo, eu recomendo “Um Beijo Roubado”! É um romance leve, com boas atuações, uma fotografia linda e com excelente trilha sonora. Caso assista, volta aqui depois pra me contar o que você achou.

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2 comentários em “Por que “Um Beijo Roubado” é surpreendente?”

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