Eu, Tonya8 min read

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Não quero ser clássica!

Tonya Harding
  • Título original: I, Tonya
  • Data de lançamento: 15 de fevereiro de 2018 (Brasil)
  • Diretor: Craig Gillespie
  • Elenco: Margot Robbie, Sebastian Stan, Allison Janney
  • Sinopse: Acompanhe a vida da ex-patinadora no gelo Tonya Harding. Durante a década de 1990, ela conseguiu superar sua infância pobre e emergir como campeã do Campeonato de Patinação no Gelo do Reino Unido e segunda colocada no campeonato mundial. Porém, ela ficou realmente conhecida quando seu marido, Jeff Gilloly, e dois ladrões tentaram incapacitar uma de suas concorrentes quebrando a perna dela durante as Olimpíadas de 1994.

Tonya, uma moça cheia de atitude porém frágil, com um talento indiscutível mas com uma perseverança um tanto quanto questionável, com um equilíbrio admirável sobre os patins mas sem qualquer domínio em sua vida pessoal. Ela é um ser humano normal, comum, fazendo mal uso de sua maior habilidade, cheia de contradições.

Eu, Tonya é a estória sobre uma vida de más escolhas, de decisões errôneas, sobre uma patinadora em busca de seu lugar no estrelato e que para tanto cometeu uma falha grave que manchou sua carreira e tirou-lhe seu maior prazer de forma permanente.

De cara somos apresentados ao formato que dará o tom do filme, um pseudodocumentário com depoimentos de Tonya (interpretada por Margot Robbie com excelência), seu ex-marido, Jeff e sua mãe, LaVona (interpretada por Allison Janney com igual excelência) olhando diretamente para a câmera, é como se eles estivessem falando diretamente com a plateia.

Como toda biografia, inicia-se na infância da menina e já levamos uns 10 tapas na cara assistindo a “boa” educação de Lavona. Mãe alcoólatra, autoritária, agressiva, que além de nunca ter sido amiga da filha, também ensinou com maestria como não fazer amigos, algo que se estende por toda sua vida. Além disso, Tonya é constantemente maltratada fisicamente, psicologicamente, foi abandonada pelo pai e por fim conhece Jeff que repete esses mesmos comportamentos abusivos.

Em 1986, depois de passar seus jovens anos dentro do rinque de patinação, ela vai a uma competição profissional e surge com uma roupa de gosto um tanto quanto questionável, com uma maquiagem de gosto duvidoso e totalmente diversa das outras atletas, música absolutamente inaceitável para os padrões da época. Entretanto, é a primeira vez que vemos Tonya em ação e a cena é extremamente empolgante, a edição é demais e você acredita que ela tá arrasando na parada! Corta e lá está ela indignada, como sempre, responsabilizando o mundo por seu fracasso, menos ela mesma.
Estamos na direção da primeira virada ou da primeira escolha errada, como preferir: uma discussão com a mãe após esse campeonato sai do controle e ela decide sair de casa para viver com o bigodudo-agressor-Jeff.

Aquele momento que mãe e filha se odeiam

Em 1991, depois de muita briga-faz as pazes com Jeff, Tonya se consagra a primeira mulher a fazer um triplo axel em competições. Esse momento é um marco em sua vida, autoestima, sua atitude. É o apogeu de sua carreira e lá vem surra de imagem, de edição, de som e sonoplastia! Ela se torna uma das melhores patinadoras dos Estados Unidos, mas só tem valor da porta de casa pra fora porque tudo mudou depois do triplo axel e teve muito mais surra, agora no sentido literal.

Momento glorioso

A ida às Olimpiadas de Inverno seria sua chance de virar um mito, de confirmar seus talentos, de ser ainda mais amada pelo público, pelo país, mas…. #fail! E, mais uma vez, vem Tonya culpando a todos, nunca tomando responsabilidade por sua vida indisciplinada. A partir daí vai tudo por água abaixo: patinação, casamento, vida pública…
O fato é que para os juízes uma atleta que representa os Estados Unidos deve ter outra postura, deve ser uma Nancy Kerrigan e não uma Tonya Harding, alguém que projete uma imagem mais leve, mais condizente com os valores da sociedade americana.

Americanos sempre têm a oportunidade de uma volta por cima e então, diante de uma segunda chance de ir às Olimpíadas, ela retoma os treinos, além de seu casamento conturbado com Jeff! 😒🤔 Só que tem o incidente, né.. sabem o incidente? Não?? Aquele ataque aos joelhos da Nancy Kerrigan que fechou o caixão pra carreira dela. Tonya foi julgada depois de sua participação não tão bem-sucedida nos jogos de inverno e foi banida do esporte.

A culpa não foi minha!

Cores e Fotografia

A direção de fotografia é de Nicolas Karakatsanis que escolheu o uso de cores contrastantes com um toque lo-fi:

lo-fi, low fidelity ou baixa fidelidade, é uma característica comum às fotografias oriundas de câmeras de filme onde se percebia o aparecimento de granulado intenso e baixa percepção de cor, trata-se da fotografia analógica de baixa definição.

Para obter este efeito com precisão, Karakatsanis optou por rodar o filme com câmera de película 35mm.
Para o diretor, as cenas de patinação seriam um desafio, mas quando se tem um operador de câmera como Dana Morris que já havia sido um patinador habilidoso, facilita, não é verdade?! Foi usada uma câmera ARRI 235 e ele saiu deslizando pelo gelo junto com Robbie, em vez de usar uma câmera fixa. Fantástico, não?!

ARRI 235 é uma câmera digital leve, pequena, que permite maior movimentação e flexibilidade pelos operadores. Para mais informações, clica aqui.

Grande parte das cenas foram realmente feitas por Margot Robbie, a equipe contou com a colaboração de dublês e outras imagens que foram geradas por computador.

Crítica

Eu gostei do filme, soou mesmo como um documentário e as pitadas de comédias são oportunas, não foi exagerado. Achei merecidas suas indicações aos prêmios que concorreu e os que ganhou.
Sobre a protagonista, muitos podem ter empatia com Tonya e “absolvê-la” de seus erros levando em consideração seu histórico familiar e violento, alegar que ela não teve qualquer orientação, gerência, nem mesmo sua treinadora se envolveu diretamente ao ponto de chamar atenção para suas más escolhas. Mas até que ponto esta nao é uma atitude bem Tonya de não responsabiliza-la pelas próprias falhas?!

Justo ou injusto?
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1 comentário em “Eu, Tonya”

  1. Pingback: In My Feelings – Drake – color my days

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