Formation — Beyoncé9 min read

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Okay ladies, now let’s get in formation, I slay

Beyoncé

Hoje é aniversário de ninguém menos que Beyoncé Knowles, 37 anos muito bem vividos até o momento. Adoro Bey por tudo que ela significa: um símbolo do empoderamento feminino, da cultura negra e da criatividade. Engana-se quem pensa que Beyoncé só ficou famosa por seu casamento com o rapper Jay-Z.
 Antes disso, ela era integrante (e líder) do grupo Destiny’s Child que teve diversos hits entre os melhores da Billboard e até vencedores de prêmios como o Grammy. Entre eles: Bills, Bills, Bills, Say My Name, Survivor e músicas em trilhas sonoras como Killing Time que foi parte de “Homens de Preto” e Independent Woman Part 1 que foi um hino de “As Panteras”. O grupo se formou em 1997 e em 2002 Beyoncé partiu para carreira solo.
 Em 2002, participou do filme “Austin Powers”. A música “Work It Out” foi gravada para a trilha sonora do filme e lançada como o seu primeiro single solo. Foi neste ano que ela e Jay-Z gravaram “03 Bonnie and Clyde” e somente em 2008 que o casal uniu as escovas de dentes.

Me diz aqui quem que ficou famosa só por causa do marido rapper renomado, por favor?! 🙄

A realidade é que foi a união de potências criativas: ela linda, carismática, jovem, negra, numa crescente de sua carreira apoiada em um discurso feminista forte e ele já bem estabelecido no mercado hip hop e com diversas produções de sucesso. Dessa combinação só poderíamos ter uma família bem-sucedida, com carreiras entrelaçadas e culminadas em algo como Apeshit.
Para saber mais sobre a carreira de Beyonce, leia no Wikipedia.

O clipe

Vamos falar sobre Formation?! A faixa pertence ao seu último disco solo, Lemonade, lançado em 2016. O clipe, inicia-se após o furacão Katrina em New Orleans e Beyoncé em cima de um carro de polícia que está boiando numa enchente. De acordo com o Designer de Produção Ethan Tobman, o vídeo não foi realmente filmado em New Orleans, mas em Los Angeles e muitas imagens foram retiradas do documentário That Beat.

Como eu já havia mencionado no post sobre In My Feelings, New Orleans é o berço da musica negra americana e este clipe foi um claro lembrete de duas coisas: que a música nos une e que o Katrina foi real.
 Isso ilustra o início do vídeo:

What happened in New Orleans?
Bitch I’m back
I’m popular demand

Na cena seguinte, vemos Beyoncé em um espartilho branco e ela diz:

I see it, I want it
I stunt, yellow bone it
I dream it, I work hard
I grind ’til I own it
I twirl on them haters
Albino alligators

Essa parte faz referência ao filme “Ciladas da Sorte”, cuja expressão Albino Alligator (título do filme em inglês) significa distrair a atenção do inimigo sacrificando o membro mais frágil do grupo, dando chance aos outros de fugirem.
Bey é vista aqui girando seu guarda-chuva como se fosse uma espécie de taco usado para matar jacarés. 
 Ela parece estar ambientada em uma antiga fazenda, remetendo-nos aos possíveis escravos que irão escapar, inclusive há um momento em que ela olha pela janela, uma simbologia da busca pela liberdade.
Em paralelo, ouvimos também diversas vezes “I slay”, palavra disseminada popularmente na internet, ela possui diversos significados: o literal quer dizer matar violentamente, mas na linguagem digital remete a exterminar seu visual ou seu estilo de vida, humilhar alguém e um outro significado, que, se associado ao título da música, corresponde a misoginia.

A diretora do clipe é Melina Matsoukas, que Tobman diz ser “incrivelmente inteligente” sobre a cultura e história de uma das épocas em que “Formation” se ambienta. Ela queria obras de arte de mulheres e famílias negras, feitas em estilo colonial. A ideia era que as fazendas exibidas na tela não seriam onde os escravos trabalham, mas onde são os senhores. Entretanto a equipe encontrou um desafio: onde localizar pinturas que se encaixem nesse conceito? Tobman diz que a equipe rapidamente percebeu que não seria possível e resolveram escanear pinturas de pessoas brancas e recria-las negras.

O figurino utilizado nessas cenas representam um tempo antes e depois que os escravos foram libertados por volta de 1900. Os espartilhos brancos, ligado às mulheres remete a um tempo em que os escravos eram tecnicamente “livres”, mas ainda oprimidos. 
 A cena de trajes negros retrata pessoas mais poderosas e livres, com os homens vestidos em ternos e Beyoncé coberta de joias em frente a uma fazendo antiga, tipicamente sulista.
 Ao longo de todo o vídeo, Beyoncé usa vários estilos de cabelo negros, incluindo o próprio afro natural. Isso é extremamente representativo para as mulheres e meninas negras que até hoje ainda tentam esconder o maior signo de sua cultura nativa

Posteriormente temos diversas referências à cultura negra como salões de cabeleireiro, o Mardi Gras, carnaval típico de New Orleans, um jornal com Martin Luther King na capa, um coral gospel, jogadores de basquete, etc, para que a gente mergulhe de cabeça em todas as ligações feitas no vídeo.

Todos em linha

As únicas pessoas brancas que aparecem no clipe são os policiais retratados nesta cena, de braços para o ar, assim como àqueles que se rendem. Aqui o tema tratado é a violência policial contra negros.
A cena começa com este garotinho de capuz preto dançando na frente de uma fila de policiais com armas em punho. Ele para de dançar e coloca as mãos no ar. Todos os policiais estendem os braços em resposta de paz.
Logo em seguida, vemos um grafite na parede que diz: “Pare de atirar em nós”. Uma evidente referência ao movimento #BlackLivesMatter.

A polícia naufragada

Uma das imagens mais emblemáticas do vídeo, Beyoncé no topo de um carro policial submerso em Nova Orleans, foi filmada em um tanque de água dentro de um estúdio. O fundo do carro foi cortado e preenchido com espuma para que fosse possível flutuar, enquanto cabos foram conectados a um guindaste para que o carro pudesse ser afundado repetidas vezes com velocidade controlada. O cenário de fundo foi gerado por computador, as árvores, telhados e portões de ferro foram adicionados ao tanque para maior realismo.
É o naufrágio de uma polícia violenta onde nada se obtém a partir dela, apenas mais violência e um ciclo interminável de luta e vingança, sem diálogo.


Formation” é um clipe forte, com uma letra poderosa, representada por uma cantora ativista contra o racismo e preocupada com a igualdade, com o futuro que estará deixando pra seus filhos. Assim como Jay-Z fez uma doação milionária ao #BlackLivesMatter, Beyoncé e sua antiga parceira de Destiny’s Child, Kelly Rowland, também abriram uma ONG chamada Survivor’s Foundation a fim de ajudar os desabrigados do Furacão Katrina em New Orleans.
O clipe conta com mais de 128 milhões de visualizações, diversos prêmios e o primeiro a ganhar um Leão de Ouro em Cannes, na França, na nova edição do evento destinada ao entretenimento, o Cannes Lions Entertainment for Music.

Okay ladies, now let’s get in formation
You know you that bitch when you cause all this conversation
Always stay gracious, best revenge is your paper

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1 comentário em “Formation — Beyoncé”

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