“Encontros” aborda a magia de estar com alguém4 min read

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“Encontros” fala sobre quando Youngho é chamado pelo pai, que é médico. Ele o encontra ocupado com seus pacientes, um dos quais é um ator famoso. Sendo assim, Youngho tem que esperar. Quando sua namorada, Juwon, muda-se para Berlim para estudar, ele aparece na cidade para lhe fazer uma surpresa. Youngho vai almoçar com sua mãe, que quer apresentá-lo a um colega —que, coincidentemente, é o mesmo ator famoso que ele conheceu na clínica do pai.

Apesar da curta duração, apenas 66 minutos, “Encontros” fala de um cotidiano que acontece com todos nós. Estes são eventos recorrentes na nossa vida, estamos tendo-os a todo tempo. Cada um de nós só tem uma oportunidade de encontrar alguém pela primeira vez e, na minha opinião, isso é mágico! Pra exemplificar, este é meu primeiro encontro com a obra do diretor sul coreano Hong Sang-soo e ele me causou uma boa impressão. Certamente, não é a melhor de todas. Até mesmo porque, muitos comentam que ele tem outros trabalhos infinitamente superiores.

Neste título, as reuniões e reencontros, sempre estão repletos de sentimentos. Ora de nostalgia, ora de surpresa e outras vezes de expectativas e até uma certa mágoa. Segundo, a mãe (Yun-hee Cho), Youngho (Seok-ho Shin) é um rapaz extremamente sensível, ao ponto de lhe causar uma certa preocupação. Pra mim, ele me pareceu mais um jovem perdido, confuso e influenciável. Ele apresenta também uma certa insegurança, sem saber que rumo tomar na vida. Mas, incontestavelmente, ele é alguém com muita sensibilidade. Vemos isso numa cena específica onde ele avista a mãe na sacada de um hotel e decide não acenar. Ele quer que ela tenha seu momento de reflexão e contemplação sem interferências externas. Isso é muito bonito e delicado.

A beleza de “Encontros”

As cenas capturadas pelo próprio Sang-soo e posteriormente editadas por ele mesmo, são em preto e branco, longas e possuem um zoom meio amador. A câmera se aproxima muito rápido, como se fossemos nós mesmos com uma câmera de celular. Nesse sentido, o filme parece não ter recebido tratamento de cor pois o preto e branco não tem contraste. De fato, eu não encontrei nomes de coloristas na ficha técnica.

Com um elenco enxuto, apenas 9 atores, todos desempenham muito bem seus papéis e demonstram muitas emoções. Eu senti raiva da mãe (Young-hwa Seo ) de Juwon (Mi-so Park) por ela ser tão controladora e intrometida. Por outro lado, a cena da praia entre Youngho e seu amigo o ajudando a sair da água e se secar é belíssima, cheia de afeto.

Acrescento que o filme tem uma passagem de tempo muito sutil, quase imperceptível e que pode nos confundir um pouco. Entretanto, à medida que os diálogos se desenvolvem, entendemos o que aconteceu. Pessoalmente, achei muito interessante e gostei pois nós mesmos mal sentimos a passagem do tempo. É a mesma percepção que temos!

Em resumo, para um primeiro encontro, a obra do realizador coreano já me agradou muito e quero ter mais primeiras vezes com ele. O filme está em cartaz na 45ª Mostra Internacional de Cinema de SP, somente nas salas de cinema da cidade. Você pode conferir os horários e adquirir seus ingressos clicando aqui.

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