Wes Anderson repete fórmula em “A Crônica Francesa”7 min read

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“A Crônica Francesa” é apenas o terceiro filme do diretor Wes Anderson que assisto. Admito que não tenho uma grande experiência com seu cinema. Assisti “Ilha dos Cachorros” (e amo!) e “O Fantástico Sr. Raposo que também amo! Na minha opinião, estes outros dois trabalhos são infinitamente melhores, principalmente porque trazem uma mensagem consigo. Entretanto, isso não acontece no título atual. Muito infelizmente.

“A Crônica Francesa” dá vida a um conjunto de histórias da última edição de uma revista americana, publicada numa cidade francesa fictícia, do século XX. Por ocasião da morte do editor Arthur Howitzer Jr., a equipe da revista que recebe o mesmo título do filme, reúne-se para escrever o seu obituário. Memórias de Howitzer fluem para a criação de quatro histórias.

As histórias de “A Crônica Francesa”

Assim como as sessões da revista, o filme se divide entre estas sessões. No que diz respeito às histórias, a primeira, sobre arte, é intitulada “A Obra-Prima Concreta”.  `Protagonizada por Benicio Del Toro que é um pintor criminalmente louco, foi a que mais me agradou. Ele, como sempre, tá dando show.  Del Toro e Adrien Brody, como seu empresário implacável, são os grandes destaques do pequeno curta. O elenco conta com a presença da igualmente talentosa Léa Seydoux. O papel dela é secundário, a musa do pintor, mas sem grandes acontecimentos. A menos que você ache que ficar completamente nua seja algum grande feito. Não se esqueçam que existe duble de corpo no cinema, ok? 😉 E assim, vamos combinar aqui também, né… você ainda se impressiona com nudez no cinema? 😒

A fábula que se segue, “Revisões a um Manifesto”, aborda política e ativismo. Eu achei chatíssimo! Não teve Timothée Chalamet nem Frances McDormand que segurasse meu interesse ou meu sono. E, não apenas bocejei, como também pesquei várias vezes.

Por fim, a última, denominada “A Sala de Jantar Privada do Comissário de Polícia”, é um conto de suspense sobre drogas, rapto e jantares chiques. Traz Jeffrey Wright no papel principal e, acho que o texto final falado pelo cozinheiro é a melhor coisa dos quase 40 minutos de blábláblá e agitação que temos nessa história.

Além das estrelas já citadas, o elenco conta com outros diversos atores de peso, tais como: Christoph Waltz, Willem Dafoe, Edward Norton, Saoirse Ronan, Elisabeth Moss, Bill Murray, entre outros. Porém, todos são muito mal aproveitados. Difícil dar destaque a tantos astros com tão pouco a apresentar.

O visual marcante de Wes Anderson

Inegavelmente seu filme traz direção de arte, fotografia, figurinos e até mesmo uma unidade de design gráfico incrivelmente lindos e perfeitos. Mas como já comentei em outras publicações de opinião, somente isso não se basta. Infelizmente, todo esse conjunto visual me trouxe mais interesse do que os personagens que se apresentam em suas histórias. Eu gosto de apreciar tudo isso sim, mas unido a uma boa história. Dessa forma, eu não me senti conectada com nenhum deles e fui incapaz de ter sentimentos durante todo o tempo.

Embora o filme se dê em preto e branco, é impossível não captar toda a beleza dos cenários compostos por Adam Stockhausen. Além disso, a costumeira simetria de Wes Anderson bate ponto, capturada pelas lentes de Robert D. Yeoman (O Grande Hotel Budapeste, Moonrise Kingdom – ambos dirigidos pelo mesmo Wes Anderson). Sendo assim, suas habituais ferramentas e artifícios de fotografia estão todos ali. O ar retrô com personagens milimétricamente enquadrados, a paleta de cores sempre intensa e harmônica está lá nas cenas em cores.

Equipe técnica premiada para “A Crônica Francesa”

Não posso deixar de citar o figurino, que ficou a cargo da excelente e premiada Milena Canonero (Maria Antonieta, Laranja Mecânica, O Grande Hotel Budapeste). Nesse sentido, é impossível não se admirar com o uniforme usado pela personagem de Léa Seydoux ou com o belíssimo vestido usado por Tilda Swinton.

Sob essa mesma perspectiva, a música de Alexandre Desplat (A Forma da Água,  Adoráveis Mulheres) sempre minimalista, mas marcante é perceptível desde o início, Cai muito bem no longa, como uma luva.

Em resumo, Wes Anderson precisa de uma reciclagem, um frescor para suas ideias. Incontestavelmente “A Crônica Francesa” é uma homenagem aos jornalistas, mas nós já vimos isto antes, só que a versão atual vem sem emoção e sentimentos. Talvez não precisássemos dessa nova edição contextualizada pra outro grupo. Fica um pouco cansativo e repetitivo. Principalmente por ser um tanto quanto longo, 1h48min.

“A Crônica Francesa” tem previsão de estreia em cinemas brasileiros no dia 18-novembro-2021. Eu assisti durante a 45ª Mostra de Cinema de SP.

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