“A Caixa” ensina que é melhor deixar o passado pra trás5 min read

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“A Caixa” traz a história de Hatzin que segue até Chihuahua para buscar os restos mortais de seu pai. Chegando lá descobre que houve um erro e seu pai está vivo. Determinado a não ir embora enquanto a situação não estiver esclarecida, ele liga para sua avó e reforça a questão sem dar muitos detalhes.

“A Caixa” é dirigido pelo venezuelano radicado no México Lorenzo Vigas e produzido pelo compatriota Michel Franco de quem já escrevi aqui. Visto que o filme é latino, a história carrega sentimentos intensos. Temos aqui um conto de ressentimentos, mágoas, alegrias, surpresas e decepções. Além disso, os subtemas vêm em grande número. Temos: tráfico de pessoas, imigração, as organizações criminosas locais, os problemas insolúveis de uma nação em pedaços, drama familiar e moral. Talvez eu desejasse que eles fossem mais explorados, mas é interessante também quando o diretor nos deixa interpretar questões ambíguas nas histórias.

Hatzin (Hatzín Navarrete), um rapaz criado pela avó, ingênuo e evidentemente carente de uma figura paterna. Entretanto, de alguma forma, minha percepção era de que ele também gostaria de levar o filho de volta para a mãe. Seu relacionamento com Mário (Hernán Mendoza), começa de forma forçada, como uma gravidez indesejada. O suposto pai não deseja ocupar este cargo e o menino vence pelo cansaço.

Sendo assim, Hatzin começa a tomar pé nos negócios de Mário e a ganhar sua confiança. Dessa forma, o filho postiço vê exatamente que tipo de pessoa seu pai e. A todo momento fica claro que, muito das coisas que Hatzin faz, são mais para impressionar Mario do que exatamente porque quer tomar aquelas ações. Não apenas impressionar, como também criar conexões, laços, com o pai até então desconhecido. Chama atenção o fato de o México ser um país marcado pela ausência da figura paterna.

Os subtemas de “A Caixa”

Conforme disse anteriormente, o longa traz um recorte sobre organizações criminosas que atuam no desaparecimento e consequente morte de pessoas comuns. A repórter que dá a notícia é uma mulher, que entrevista uma mãe . Esta declara estar em busca não apenas dos seus entes queridos de sangue como também dos filhos de outras mães. Nesse sentido, ressalto também as ligações entre Hatzin e sua avó. São sempre cheias de carinho por parte do menino! 🥰

Em meio a todos os problemas já citados, um introspectivo Hatzin observa. Seu olhar funciona como o nosso: colocando em questão se ele realmente deve participar de tudo aquilo. É dessa maneira que vemos seu amadurecimento, sua evolução dentro de uma jornada onde sua moral e sua inocência será colocada a prova.

Como se pode ver, é uma história bastante comum e até pode-se dizer que batida no cinema. Entretanto, ela funciona bem. As atuações de ambos, tanto do menino Hatzín Navarrete quanto de Elián Gonzalez, são muito boas. A gente sente que existe algo verdadeiro entre eles, que o desenvolvimento da relação é real.

Além disso, um outro ponto positivo é a Fotografia. Em meio ao deserto mexicano, a câmera de Sergio Armstrong captura essas imagens de forma efetiva e segura. Os enquadramentos são planos bem abertos, close-up nos personagens e tudo isso só seria possível no aspecto 16:9 (wide).

Embora traga consigo alguma superficialidade, “A Caixa” me agradou. Eu acredito muito que diretores não precisam nos entregar respostas fáceis ou de forma fácil. Mas gostaria de mais profundidade. Ainda assim, é um bom filme e com uma perspectiva interessante de um local selvagem, que engole seus personagens. “A Caixa” foi indicado ao prêmio Leão de Ouro no Festival de Veneza deste ano. O filme esteve em cartaz nos cinemas de SP, durante a 45a mostra internacional. No momento, não haverá mais sessões para ele.

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