Pra quem é o COLOR my days?6 min read

Recentemente durante uma conversa me questionaram pra quem produzo meu conteúdo. Simplesmente porque não há rede social que se sustente com textos, ou no meu caso, opinião de filmes, feitos só pra mim, de acordo com meu gosto pessoal. Minha preocupação era justamente o fato da minha conta no Instagram não crescer. A pessoa com quem conversava pontuou algumas questões que fazem sentido pra alguém que deseja agradar o público, que quer alavancar a conta, ganhar seguidores e obter alguns likes. ❤

Posteriormente, me peguei fazendo uma “retrospectiva” da minha vida digital e até mesmo da minha popularidade na escola. Eu nunca fui a pessoa mais popular, embora todos me conhecessem. Nunca me desempenhei bem como amiga de muitas pessoas ao mesmo tempo. Sabe aqueles grupos de 10 meninas? Então, nunca foi minha praia e nunca deu certo pra mim.

Depois que sai da escola, me lembro que foi a época do FOTOLOG, anos 2000. Lembra? Meus escritos, entre muitas metáforas, eram sobre a minha vida pessoal, sobre meus desafios internos e interpessoais e as fotos eram os, até então, autorretratos. Hoje, selfies. Não existiam likes, compartilhamento era na base do CTRL + C do site e meu público eram as pessoas do meu convívio, eram conhecidos. Nada disso me incomodava, afinal, eu não era uma pessoa popular. E hoje, pensando bem, era reconfortante. Era como estar na sala de casa com meus amigos. Postar 1 única foto por dia era limitante, mas ao mesmo tempo tinha seu valor.

Anos mais tarde, veio o TWITTER e novamente poucos seguidores. Até hoje, menos de 100. Mas atualmente isso estava me incomodando e, muito provavelmente, tem a ver com a pergunta inicial: pra quem você escreve? Minha conclusão é que não estava escrevendo pra ninguém.

Acredito que muito do conteúdo que está no COLOR, e aqueles dos quais mais me orgulho, falam muito sobre mim: são impopulares. TODOS têm poucos likes, os feedbacks que recebi foram dos meus amigos mais próximos e deveria ter ficado tudo bem pra mim.

Além disso, muitos dos criadores que sigo fielmente, produzem para si, de acordo com seus gostos pessoais, com seus valores. Um deles chega a dizer que naquele espaço ele “fala WTF ele quiser sobre cinema”. A partir disso, fiquei me questionando por que eu estava optando por me calar e fazer do COLOR um perfil sem texto (?). Por que fazer isso se tudo aquilo que já havia escrito era o que eu adoraria ver num perfil de IG, num canal de Youtube? Eu realmente acredito que era porque estava escrevendo numa tentativa de ser popular, de ser algo que não sou.

Se me surgia uma ideia de gravar um vídeo dizendo por que eu não gosto da Netflix, vinha a resposta de que semear ódio na internet traz ódio de volta e menos seguidores. Mas por que raios não gostar da Netflix é ÓDIO? Qual é o problema de não gostar de algo? Qual o problema de não gostar de algo POPULAR? Qual é o problema de se posicionar?

Eu nunca tive medo, receio ou constrangimento de emitir minha opinião não apenas porque sempre circulei em pequenos grupos como também aquelas ideias faziam mais parte de mim do que qualquer outra coisa. Elas foram formadas por mim, pelas minhas experiências, pela minha jornada enquanto pessoa. Quando publicadas, era por minha vontade, necessidade de externar para quem quisesse ler. Porém, com o COLOR havia um anseio por algo maior.

Talvez este também seja um motivo do porquê nunca consegui dar um propósito para o COLOR. Afinal de contas, atualmente, para ter um blog, um canal no YT e um IG você precisa ter um propósito, um branding. E assim, entre muita sopa de palavras como: “dar acesso”, “bem-estar”, “a influência das cores nas narrativas”, eu nunca me conectei verdadeiramente com nenhum desses conceitos. Adorar cinema, cores e música não era o suficiente porque as pessoas se conectam com ideais, com propostas, com nichos, com identidades visuais. Eu acredito nisso também, mas eu tava escrevendo pra quem? Quem eram minhas personas?

Quando penso fria e sinceramente, escrevo sobre cinema porque eu gosto, porque adoro cores, porque gosto de design gráfico, de ver as paletas de cores dos filmes montadas, de recriar posters, de fotografia, de artes, gosto de pesquisar sobre filmes e levar informações diferentes do que todo mundo fala por aí, sair do lugar-comum. Em resumo, é algo que me faz bem.

Eu falhei com meu blog, falhei comigo, caí na armadilha do mundo social, de achar que seguidores e likes seriam o reconhecimento que meu rolê precisava pra conseguir parcerias, pra ter uma reputação digital. Justo eu, que não sou nada social e que sempre quis independência.

Mas eu estou disposta a consertar. No primeiro dia em que o color “se calou”, eu me comprometo a dar um futuro diferente pra mim e pra ele. O COLOR precisa mudar porque ele não é mais o que eu projetei e de fato, nunca mais será o mesmo. Decidi fazer dele um local de inspiração, pra eu dar vazão aos meus devaneios gráficos. Eu sinto muito se você segue o COLOR só por causa das minhas escritas sobre cinema, mas agora ele será um espaço somente visual.

O cinema faz parte de mim, eu amo e vou continuar escrevendo sobre esse assunto, mas eu sou feita de outras paixões também que nunca pude expressar porque no COLOR não era o lugar pra isso. Por exemplo, eu amo música, mas não faz sentido falar de samples porque o COLOR tem um nicho muito específico. Eu quero só dar uma opinião sobre um filme, mas as cores precisam ser citadas porque esse é o nicho do COLOR. Eu quero falar da minha viagem de férias, mas se eu não citar as cores do lugar, não vai ter como encaixar no COLOR. E assim, diversos assuntos foram deixados de lado porque simplesmente não cabiam no COLOR. Nessa busca por coerência dentro de um plano editorial, que também é importante pra produção de conteúdo, eu me perdi dentro do que o COLOR deveria ser pra mim.

Eu errei ao não ter falado mais sobre mim, em não ter exposto essas dificuldades, desafios e limitações que sentia. Talvez isso tivesse me tornado, verdadeiramente, alguém por traz do perfil, mas agora… eu não quero mais. Pelo menos não no COLOR. Convido você a me seguir no meu perfil pessoal, @nandavlinda e conhecer meu universo.

Abraços!

5 comentários em “Pra quem é o COLOR my days?”

  1. Camilla Nogueira

    Você terá sucesso em ser você. E sucesso não é um número, ele é um lugar de bem estar, de qualidade de vida e de muito amor. Parabéns por todo trabalho desempenhado aqui e pela coragem de se abrir. Eu amo suas postagens e vou continuar te acompanhando. Mudanças são necessárias e bem vindas sempre que entendemos onde estamos e onde queremos chegar. 😉

  2. Mariana Muraoka

    Nossa, me senti tão representada neste texto!
    Mas por fim eu só abandonei o barco mesmo hahhah
    Que bom que vc vai continuar no Color, ainda que de outra forma, e melhor ainda que agora te ouviremos sobre mais assuntos no perfil pessoal.
    Adoro suas considerações e vai ser muito legal acompanhá-las em outras áreas que não só o cinema!

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