Atlântida é apenas uma peça para redes sociais5 min read

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Se tem um filme nessa 45ª mostra de cinema de SP que me decepcionou muito foi “Atlântida”. Daniele é um jovem de Sant’Erasmo, uma ilha às margens da Lagoa de Veneza. Ele vive à sua própria maneira, isolado até mesmo dos amigos, que estão constantemente ocupados em uma existência que busca prazer por meio do culto aos barchinos, nome das lanchas da região. Essa obsessão ganha forma na construção de motores cada vez mais potentes para transformar estes pequenos barcos em barcos de corrida tão rápidos quanto perigosos. Daniele também sonha em construir o barchino mais veloz, mas tudo o que ele faz para realizar esse desejo e ganhar o respeito dos outros parece dar errado.

Imaginem que Nicolas Winding Refn, diretor de “Drive”, “Demônio de Neon”, “Bronson”, fizesse “Velozes e Furiosos”, só que com lanchas em vez de carros. Imaginem também que esse filme é muito ruim!

Se há algo de muito positivo a citar sobre “Atlântida” é sua fotografia, que ficou sob a responsabilidade do também diretor do longa, Yuri Ancarani. Entretanto, mais parece que ele se concentrou em excesso na fotografia e esqueceu de editar e montar seu filme. Sim, ele também assina a edição do filme (!). Inegavelmente as cenas de paisagem, de dentro das lanchas, as imagens de drone são lindíssimas! Das mais bonitas que vi nesse ano. Mas como eu falei em “Queen & Slim”, não tem filme que se sustente só com visual. Nesse sentido, se faz necessário ter uma boa história pra contar.

Aqui, certamente, se faz uso de um filtro azul e laranja (o famoso teal and orange) que ressalta o belo céu azul e a água do canal da cidade. Muita iluminação neon e muita estética de videoclipe e redes sociais. Tudo isso ao som de música trap e eletrônica italiana. Eu gosto dessa ideia, de verdade! Mas não o tempo todo com uma narrativa vazia que nada desenvolve e não chega a lugar nenhum! Sem dúvida, rende umas boas postagens em redes sociais. E só!

Em “Atlântida” não há com o quê se conectar

Daniele, o protagonista, não faz nada da vida além e andar de lancha de um lado pro outro. Ele tem uma namorada, mas não vemos ele fazer carinho, sequer dar um beijo nela. E aí pra mim já está um ponto problemático do filme, pois não apenas não temos aprofundamento nas relações, como também não há nenhum desenvolvimento dos personagens. O diretor Yuri Ancarani não nos deixa saber mais sobre os sentimentos de Daniele e muito menos da namorada.

Dessa forma, já perdemos a oportunidade de nos conectar e ter empatia com alguém dentro do filme. Não o suficiente, temos também planos intermináveis dos tais passeios de lancha que nada acrescentam, não ajudam a mover a história pra frente e nem nos causam qualquer emoção. Aliás, causam sim, muito sono e tédio infinito! Claramente um erro de edição e montagem.

Se a gente não se conecta com os personagens, nem a narrativa se desenvolve, pelo menos as interpretações são legais? Não! Os personagens praticamente não têm diálogos. Contudo, isso estaria ok se não fosse pelo fato de não haver um roteiro bem escrito onde algo fizesse sentido.

Em resumo, “Atlântida” nada mais é do que uma peça para redes sociais, pura masturbação fotográfica pra gerar barulho no meio digital. Uma perda de tempo e uma grande decepção na Mostra Internacional de Cinema.

Por fim, se ainda assim você quiser conferir, acesse a Mostra Play e garanta seu ingresso!

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