[OPINIÃO] GREEN BOOK: Valeu mesmo um Oscar?6 min read

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Em meio a muita polêmica, este foi o filme vencedor do Oscar: seguro e sem nada de especial. Exceto pela interpretação de Mahershala Ali, que de fato, está espetacular.
Se peca em não trazer potência na discussão do racismo, por outro lado, exagera ao mostrar atitudes racistas. Precisava mesmo daquela cena onde Tony joga os copos no lixo pra mostrar o quão repugnante os negros são para ele? Acho que os olhares que precedem esta cena são o suficiente para evidenciar sua posição. Mas parece que o diretor Peter Farrelly não deixou que o espectador pensasse por si e tirasse suas conclusões.

Embora a interpretação de Ali seja excelente, os personagens, tanto dele quanto de Viggo Mortensen são extremamente caricatos. Por que raios Tony Lip tem que comer tanto? (ok, essas cenas são engraçadas!). Aliás, eu gostei muito dessas cenas cômicas, como por exemplo a cena do frango frito. É a minha preferida do filme!

E a esposa do Tony Lip, interpretada por Linda Cardellini?! Relaxa, ela é só a esposa mesmo! Se tivessem posto uma figurante qualquer, faria pouca diferença.

Dentro de Green Book é tudo muito óbvio, as situações são seguras, não há um pingo de tensão, nem mesmo nos dramas, a gente já sabe que vai dar tudo certo. E é aí que, pra mim, o filme se enfraquece. Mas mesmo assim, é gostosinho, você quer continuar assistindo… eu dei risadas altas!

Sendo assim, não vejo que funcione também quando tenta estabelecer um diálogo com os tempos contemporâneos sobre racismo: não se discute preconceito racial a partir de um protagonista branco que vem para ser o salvador do negro. Tony Lip “salva” Don Shirley em diversos momentos.

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Onde está o verde em “Green Book”?

O diretor de Fotografia é Sean Porter, mesmo de “A Noite É Delas” e “Mulheres do Século XX”.

Fazendo uma apologia ao título, “Green Book” tem bastante presença de verde, em diferentes tonalidades.

Porter mencionou que foi fácil trabalhar com Peter Farrelly, que a demanda era por autenticidade. Uma das primeiras cenas que foram definidas foi da viagem de carro. O diretor do longa sofreu bastante pressão para que estas cenas fossem filmadas em estúdio, porém Sean Porter sugeriu que toda a equipe fosse para a estrada pois isso traria mais realismo apesar da imprevisibilidade. Dentro do carro, usaram câmeras ALEXA mini. Para a iluminação, Porter e a equipe de arte concluíram que na época só existiam lâmpadas de tungstênio, fluorescente, mercúrio neon e sódio. Dessa forma, a paleta de cores e equipamentos foram ajustados de acordo. Nesse sentido, a equipe preferiu evitar escolhas estilísticas que fariam o filme parecer datado.

Figurino compõe as cores

As cores de “Green Book” aparecem no figurino de seus personagens também, onde Betsy Heimann foi a responsável pelos belos trajes que vimos no longa. Para refletir as mudanças na estação e na cultura ao longo da viagem, Heimann mudou a paleta de cores das roupas de verdes quentes, azuis e mostarda no início do outono para um visual mais desbotado quando eles chegaram em dezembro em um local de eventos racistas, no extremo sul dos Estados Unidos: “Todas as mulheres estão usando vestidos cor-de-rosa, desbotados, verdes, acinzentados, cor de sorvete, e os homens tinham jaquetas brancas. É como se o lugar estivesse perdido no tempo”.

Nesse sentido, vemos Don Shirley sempre muito bem arrumado e a figurinista responsável pelo longa, Betsy Heimann imaginou Shirley como um homem que usa roupas para fazer uma declaração

Eu queria que Don Shirley mantivesse sua elegância durante toda a viagem, independentemente de como ele fosse tratado. As roupas dele são meio que um escudo, onde ele está pensando: “Eu não me importo com o que você sente sobre os negros, olhe para mim. Estou bem vestido, sou bem-educado, tenho bom gosto e você pode dizer isso a um quilômetro de distância”.

Besty Heimann sobre o figurino de Don Shirley

Em contraste com o visual elegante de Don Shirley, Heimann colocou Tony em camisas brancas, ternos escuros, suéteres e roupas esportivas projetadas para acentuar os 40 kg de peso extra que Mortensen ganhou para o papel. Dessa forma, tudo foi pensado visando explicitar a transformação de Viggo e as características de seu personagem que gosta de comer e fumar.

Trabalhando a partir de fotografias de família antigas fornecidas pelo filho de Tony Lip, Nick Vallelonga, co-autor de Green Book, Heimann vestiu a esposa de Tony, Dolores, como a dona de casa perfeita para fotos. Heimann explica: “Quando você olha para Linda, ela é pequenina e tem uma figura tão adorável, portanto, eu quis brincar: ‘Tony é tão grande e ela é tão pequena.’ Eu fiz Linda usar saias com o cinto para mostrar a ela cintura pequena. Eu queria que Dolores fosse como Donna Reed, mas de estilo italiano.

Crítica

Em resumo, eu gostei meio sem gostar, sabem como?! É difícil não gostar porque é divertido, feel good, tem boas atuações e é cativante. Daqueles que você facilmente assistiria numa sessão da tarde, comendo pipoquinha com seu filho. Tá bem longe de ser excelente, que é o que se espera de um vencedor do (que assim se diz) maior prêmio da indústria cinematográfica americana.

Não assisti no cinema, não pagaria pra assistir nem no NOW. Até porque… está R$ 49,90. Esperaria chegar no Telecine e tá de muito bom tamanho. Mas se você realmente está curioso, pode alugar pelo Youtube a um valor bem mais camarada!

Conta aqui embaixo nos comentários quanto você pagaria pra assistir Green Book e se já assistiu, o que gostou mais?

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1 comentário em “[OPINIÃO] GREEN BOOK: Valeu mesmo um Oscar?”

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