“Submarino”: o filme sombrio de Thomas Vinterberg8 min read

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Pra começar bem a semana trago uma opinião sobre “Submarino” filme do diretor Thomas Vinterberg, recentemente indicado ao Oscar de Melhor Diretor. Caso você ainda não o conheça, fique ligado pois teremos mais publicações sobre ele. Anteriormente, falei sobre “Druk – Mais Uma Rodada”, indicado ao oscar de melhor filme internacional e você pode conferir clicando aqui.

Cores e Fotografia

Submarino” conta a historia de dois irmãos marcados por uma tragédia. Embora tenha sido produzido em 2010, nota-se que ainda há muito do Dogma 95 na Fotografia de “Submarino”. Tem câmera na mão, muita movimentação, principalmente nas cenas externas. A iluminação é baixa, com luzes suaves e em sua maioria brancas.

Além disso, pessoalmente, me agradou muito ver os traumas e reações do protagonista representados nos ambientes escuros, no figurino desleixado e nas sombras marcadas cada vez que algo dá errado.

Nesse sentido, as cores são desbotadas, apagadas, acinzentadas e tristes. Assim como a vida de Nick que parece não ter graça nenhuma. Ele e seu irmão mais novo, que não recebe um nome, repetem muitos dos comportamentos negligentes de sua mãe. Só para exemplificar, Nick é alcoolatra, tem problemas de comportamento, é agressivo, seu quarto não tem organização, é sujo. Enquanto isso, o mais novo tem um filho pequeno de quem não cuida e é tão desajustado quanto Nick.

E assim, vemos tudo isso a partir da camera de Charlotte Bruus Christensen que é precisa em mostrar o cotidiano monótono de Nick e as atitudes inconsequentes do irmão mais novo. Muito é dito com imagens, sem a necessidade de verbalizar ou da construção de diálogos expositivos.

É um filme incômodo, angustiante e pesado quando analisado do ponto de vista familiar. Porque tudo que acontece na vida dos dois irmãos vem da falta de estrutura que ambos tiveram na infância.

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Além da Fotografia de “Submarino” como Thomas Vinterberg surpreende?

Da mesma forma que faz em outros filmes, o diretor traz muitas camadas, para “Submarino”: os vícios que tendem a destruir as famílias, como as crianças que são fruto de ambientes desestruturados crescem e como vivem a fase adulta. Acima de tudo, é interessante observar como ele conduz o relacionamento entre os irmãos que sofreram com a omissão e o descaso da mãe com eles.

Gosto bastante da atuação de Jakob Cerdergreen que sabe exatamente como dar equilibrar os momentos introspectivos e explosivos de Nick. Ele carrega no olhar o peso de ser um sujeito cheio de traumas, mágoas, rancor e que simplesmente não sabe como sair dessa prisão. Todos por quem ele carrega algum tipo de afeição são desajustados e acabam envolvendo-o num ciclo de perdas e dor.

Curiosamente percebi que o filme foca muito em mãos. Do inicio ao fim, vemos diversos planos-detalhe das mãos do irmão mais velho. Nick usa as mãos pra brincar com o bebê, para agredir, para usar a barra de supino, para fumar, beber e por fim pra dar as mãos ao sobrinho.

E então, me responda: Você já pensou em quais são funções das nossas mãos? Enquanto bebês, é com as nossas mãos que descobrimos as partes do nosso próprio corpo, que tocamos as pessoas, usamos elas para produzir, para o trabalho. Elas também podem servir como símbolos políticos, culturais, gesticulamos para dar ênfase às nossas palavras. Porém, muitas vezes, gestos dizem mais do que palavras.

A todo momento assistimos Nick usando suas mãos para o mal, para atacar, para àquilo que nada agregava valor em sua vida. Exceto no começo e no fim do filme. Eu vejo como uma reconciliação com seu passado e o fim de uma sequencia de traumas, indiferença e autodestruição.

Filmes relacionados

Se você, assim como eu, gostou da interpretação de Jakob Cedergren, não pode perder “Culpa” de 2018. Um policial entra em uma corrida contra o relógio quando responde ao chamado de uma mulher vítima de sequestro.

Mas, caso tenha gostado de “Submarino” e queira conhecer outros filmes dirigidos por Thomas Vinterberg, aposte em “A Caça”.

Por fim, eu recomendo muito que vocês assistam “Submarino”! É um filme cheio de camadas e que com toda a certeza do mundo terão interpretações diferentes da minha. Então, depois que assistir ou se você já viu, me conta aqui nos comentários quais foram as suas impressões!

Muito obrigada por sua leitura, espero que tenham gostado!
Pra você que é meu leitor fiel, eu também agradeço muito e peço que compartilhem com outros cinéfilos. Isso é muito importante pra ajudar a página a crescer!

Fontes: Mario e Diana Corso / The Beat

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