A Taça Partida4 min read

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Como você se sentiria em ter sua casa invadida por um estranho? Foi basicamente isso que me questionei o tempo todo ao assistir “A Taça Partida”, filme chileno, dirigido por Esteban Cabezas.

Rodrigo, ao contrário da maioria dos filmes que assistimos, é um protagonista pelo qual não consegui ser empatia. Ele é cara extremamente egoísta, invasivo, inconveniente, desrespeitoso e inconsciente da realidade. Apegado ao passado, ele continua tentando viver uma rotina que não
existe mais, invadindo a casa onde viveu com Carla. Local este, onde, agora, ela vive com seu novo companheiro, Maxi.

Por outro lado, Carla poderia ser vista como a antagonista da história, mas isso não acontece. Não consegui me conectar plenamente com ela. Ao mesmo tempo que tenta se ver livre do ex lixo, ela também não impõe limites e abre concessões, embora contrariada, para tudo que Rodrigo demanda. A imaturidade de ambos é extremamente perturbadora e irritante. Foram exatamente estes os meus sentimentos assistindo “A Taça Partida”: irritação, perturbação, incômodo e angústia. Principalmente durante as cenas em que ele começa a revirar a casa de Carla e mexer naquilo ou não é dele.

O filme trabalha aspectos da relação dos dois a partir de símbolos. Como por exemplo a caneca que quebra e Carla não consegue se desfazer. Constantemente cita-se uma torneira quebrada que ninguém conserta, além de outros diversos itens da casa que estão quebrados. Tão “machucados” quanto o relacionamento.
É irônico que Rodrigo conserte a caneca, talvez numa tentativa de mostrar que pode consertar os erros da relação falida. Entretanto, vemos que a atitude de ter consertado algo que não lhe pertence já é uma evidência de que continua cometendo erros.

Os méritos de “A Taça Partida”

Em dado momento, Rodrigo vai ao açougue com o filho Julian. Ele diz que irá fazer um churrasco de macho, não como os que o menino faz com Maxi. Ele procura por carnes saudáveis para a criança e diante do preço, sai com salsichas.

Logo depois, ele conta a Julian que quando conheceu a mãe só tinha dinheiro para comprar-lhe um cachorro-quente. Diante do fato de ter passado o dia todo na casa de Carla sem fazer nada, notamos que sua vida pouco progrediu.

Assim como a história é rica em sua narrativa, os aspectos visuais não ficam de fora. O diretor Esteban Cabezas conta com uma fotografia pra lá de diferente, comandada por Cristián Petit-Laurent que faz enquadramentos centrados nos personagens principais da cena. Se um segundo personagem surge, a câmera não foca nele. Da mesma forma, não temos close-ups para evidenciar momentos de constrangimento. Mas existe uma mudança no aspecto da imagem que sai de 16:9 para 1:1 (quadrado).

Em outras palavras, Esteban buscou uma forma diferente para contar uma história comum. Todos já vimos filmes de divórcio, separação como por exemplo “História de um Casamento”; mas o chileno vai além e traz tensão para o longa de forma inteligente. Gostei e até me lembrei de um outro filme que traz uma narrativa semelhante: Violência Gratuita, de Michael Haneke. No suspense austríaco, uma família sai de férias e dois jovens psicopatas invadem a casa fazendo-os reféns. O filme recebeu uma indicação à Palma de Ouro em Cannes (1997). Curiosamente, no Brasil, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo trouxe para exibição naquele ano. 😍

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