Como as cores dão o tom do filme em “Luce”9 min read

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Foi ao ar na próxima quinta-feira, 16-set-2020, o “Assistidos do Mês” de agosto. Com um certo atraso, eu sei, mas o que importa é publicar, né?!
Hoje trago uma breve crítica sobre o filme “Luce”, um daqueles que ficou de fora do vídeo, assim como vários outros pois foram muitos no mês passado. Dessa forma, resolvi passar rapidamente por aqueles que não me impactaram tanto.
Porém, alguns são boas obras e que merecem pelo menos um breve comentário, então decidi falar por aqui.

Disponível no @telecine, comecei a assistir “Luce” despretensiosamente e acabei gostando.

Cores e Fotografia

O filme tem uma fotografia interessante e a paleta de cores é baseada em: cinzas frios, brancos, pretos e poucos amarelos que servem mais pra iluminar os ambientes.

Muitas dessas cores são vistas no figurino do protagonista homônimo da obra, onde ele ora veste cinza, ora veste preto e branco.
Aliás, o preto e o branco acompanham Luce a todo momento, seja em camisetas, calças ou casacos.
Na minha interpretação, essa é uma pista do que o diretor quer nos dizer sobre seu caráter, principalmente quando ele tá de cinza.

Nós passamos boa parte do tempo desconfiando dele e a cor nos traz exatamente esse aspecto duvidoso. É interessante como o diretor joga com o nome do rapaz, com as cores e como isso define o tom do filme. A propósito, eu vou falar mais pra frente sobre esse tom.
Nas cenas iniciais ele diz que seu nome significa luz e o cinza carrega essa característica de dúvida, justamente por estar entre o branco que é a luz total e do preto que é a ausência total. Dessa forma, compreendemos não só que o cinza é a cor de Luce bem como que ela está bem no meio destes dois e nós simplesmente não sabemos o que pensar sobre ele. Mesmo quando Luce veste branco, a iluminação brinca para que ele pareça estar vestido de cinza.

Eu falei mais sobre essa característica do cinza no meu vídeo sobre “Um Corpo Que Cai”.

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direção de fotografia

Sobre a Fotografia, o diretor do filme Julius Onah deu uma entrevista para o site “No Film School” onde declarou:

Larkin Seiple é um DP incrivelmente talentoso, quer dizer, acho que Larkin é alguém de quem falaremos por muito tempo. Tive a oportunidade de entrevistar muitos fotógrafos talentosos para este filme, mas o que me impressionou sobre Larkin – que também é talentoso, mais ainda para alguém muito jovem – foi que ele tinha uma compreensão clara do material e uma maneira de articular o que ele achava certo para o filme.
O processo de trabalhar com ele foi muito bom. Nem sempre concordamos com tudo, mas foi uma discussão saudável que acho que tornou o filme ainda melhor. Houve muita preparação. Não tivemos muito tempo para fazer o filme, então ele e eu percorremos todas as locações e fizemos storyboards, nossa lista de cenas, encenamos as marcações. Larkin foi para a faculdade de cinema e pensa como um diretor.
Foi uma colaboração divertida. Muitas vezes, você fica preso a todas essas coisas sobre a logística de fazer o filme se esquece que as pessoas estão lá para brincar e experimentar. E se você não tem isso, você não tem um filme.
Todos os meus filmes foram rodados em película, em 35mm, até agora. Então esse era o único pré-requisito. Larkin tinha feito isso na faculdade de cinema, mas já fazia um tempo, então foi um processo de readaptação para ele. Mas acho que agora ele está gravando muitos longas, teve aquele clipe para Childish Gambino, “This is America”, em película. Ele amou, então não acho que ele queira voltar para o digital agora.
Julius Onah

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além das cores

Na minha opinião, o melhor de “Luce” são as interpretações. O elenco é de peso, conta com as renomadas Naomi Watts, Octavia Spencer, Tim Roth e o, pra mim, novato Kelvin Harrison Jr vao muito bem em cena. Tanto que me deu um ódio profundo da mãe super protetora e do filho brilhante meio psicopata. O pai da família, Peter também não fica atrás no meu nível de ódio porque ele é omisso e isso também me dá muita raiva.

Outro aspecto que também há no filme é uma certa reflexão, acerca de alguns assuntos, tais como: nossos valores atualmente, o papel do professor e o racismo. Seria impossível não notar que esse é um assunto que deseja ser trabalhado pelo diretor, pois Luce é negro e seus pais são brancos. Além desses já citados, podemos notar muito claramente que há uma tentativa de crítica à sociedade americana na forma como lidam com seus filhos.

Acho que esse é o aspecto negativo do filme, pois não temos aprofundamento, ele para na metade. Fica parecendo que o diretor não teve coragem de punir seu protagonista pelos erros, supostamente, cometidos. Claramente o diretor teve boas intenções aqui, mas não conseguiu passar isso adiante. De qualquer forma, o filme é instigante e a gente se pega mentalmente discutindo questões consigo próprio. E nesse sentido, a trilha sonora funciona bem, ela dá o tom de mistério em conjunto às ações suspeitas de Luce.

Como eu falei lá no começo, o tom do filme se dá através do suspense, da tentativa de tentarmos entender o que se passa na cabeça de Luce e nos jogos que ele joga com os pais e os professores. Isso acontece desde as cores, quando a iluminação faz você ver cinza, quando na verdade é branco, até seus, supostos, cumplices que vestem cinza assim como ele. Bem interessantes esses truques do diretor!

Filmes relacionados

Se você gostou de “Luce”, não deixe de assistir “Notas Sobre um Escândalo”. O filme traz a história de uma professora que se envolve com um aluno e é descoberta. Gosto do elenco escalado por Julius Onah aqui, mas fica difícil de competir com Cate Blanchett e Judi Dench. Não à toa elas foram indicadas ao Oscar e a tudo mais que tinham direito por atriz principal e coadjuvante. Além disso, o filme foi indicado também por melhor roteiro adaptado e canção principal.

Mas se você curtiu a atmosfera de jogos mentais presente em “Luce”, não deixe de conferir a versão Americana de “Violência Gratuita” onde uma família em férias recebe a inesperada visita de dois jovens profundamente perturbados que transformam o sossego em pesadelo. também traz Tim Roth e Naomi Watts como o casal protagonista. A diferença é que Haneke alça a barra lá em cima com “Violência Gratuita”…

Espero que vocês tenham gostado da crítica e deixem aqui embaixo se já assistiram “Luce” e o que acharam!
Obrigada pela leitura e fique de olho nas minhas redes sociais. ✌😉

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